quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Como uma pérola

Fernanda Santiago Valente
 
Ontem enquanto passeava na praia, a beira da água, observei várias conchas. Nunca vejo conchas na praia de Santos. Aí lembrei que são das conchas que surgem as pérolas. E por que as pérolas são tão difíceis de serem encontradas? Fiquei questionando isso a Deus. Sei que peguei várias conchinhas com a esperança de encontrar uma pérola. Se encontrei? Hum... abri apenas uma. Não tinha nada. Além disso, peguei umas 10 conchinhas... mas não as abri, mas descobri que peguei conchinhas fechadas, sem feridas.
As conchas geralmente abrem e fecham, recebendo nutrientes da água, às vezes um corpo estranho e grãos de areia entram em seu interior, produzindo feridas. Mesmo assim, elas continuam o movimento. A pérola só surge na concha que passou por várias dores e mesmo assim decidiu viver. As conchas que não foram feridas não produzem pérolas, pois as pérolas são feridas cicatrizadas.
Penso que também é assim na nossa vida. Só nos tornamos pérolas quando aprendemos com as nossas dores, quando olhamos para toda a história da nossa vida e entendemos o porquê de enfrentarmos certas dores. Quando entendemos, perdoamos a nós mesmos, perdoamos as pessoas e até mesmo a Deus. Porque às vezes no meio a dor, achamos que Deus é injusto. Mas não. Deus sabe que se perseverarmos seremos transformados em pérolas, pois não existe feridas que não venham a ser cicatrizadas.
Quem nunca sentiu dor jamais poderá ser uma pérola.
 
escrito em 07/02/2011, no meu antigo blog Crítica Construtiva
 
Para hoje: um bombom trufado tradicional
 
 

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

A porta escancarada

Fernanda Santiago Valente
 
A porta estava aberta escancaradamente. Parei. Esperei que alguém me convidasse a entrar, pois não queria incomodar. Pedi licença, entrei e me senti a vontade por ali estar.
A minha porta estava fechada e eu não estava nem com vontade de receber visita, mas deixei que entrasse devagar. De repente notei, que lentamente, a porta sempre esteve aberta e é apenas questão de deixar que tudo flua naturalmente. Só sai da sua casa quem quer. Só entra na sua casa quem você permite.
É isso que chamo de coração. Pessoas entram e saem sendo convidadas ou não. Algumas permanecem por questão de amor e compreensão. Outras ficam à vontade por saber que ali há amizade e perdão.
Mantenha a porta aberta!
 
Obs: aceite um bombom de licor, sabor de cereja

Quem conduz a dança?

Fernanda Santiago Valente
 
Ela está sentada, quieta, na dela, só a esperar um daqueles moços do salão convidá-la a dançar. Enquanto ela ainda não fixa seus olhos num daqueles que estão à procura de alguém para dançar, ela observa os passos daqueles que já estão dançando.
Algumas moças conduzem os rapazes, que confusos e atrapalhados, não olham nos olhos. Eles cismam em olhar para os pés. A dança não acontece e ficam intrigados porque não conseguem aprender os passos. Perna esquerda ou direita à frente? E na mera distração pisam nos pés das moças... mas estes, não podem desistir, eles querem aprender a dançar, e enfim, conduzir a dança.
A primeira regra para dançar é se concentrar. É preciso decorar na mente dois pra lá dois pra cá, um pra frente, um pra trás e gira. Depois de decorar os passos é preciso muita firmeza e segurança. Com isso, escolher a dama e definitivamente conduzi-la.
A moça ainda está lá sentada, só observando os casais e esperando um daqueles moços sem par. Ela sabe dançar, mas não quer ensinar ninguém. Ela quer aquele moço cheio de sorriso e segurança, que puxa sua mão, olha nos seus olhos e conduz a dança. Ela quer a melhor dança. Aquela que ele conduza e ela se destaque. Ela só quer um homem que saiba dançar, que a leve com o olhar. Será que é tão difícil assim?

Para hoje: um sonho de valsa

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Paciência

Fernanda Santiago Valente

São nos momentos mais conturbados das nossas vidas que paramos para analisar o que faz sentido ou não. Às vezes parar tudo o que estamos fazendo é necessário. A família, os amigos e muitos poderão não entender nada, mas aos poucos uma peça de cada vez é colocada no lugar e novas coisas começam a acontecer.
Vivemos num período que ninguém tem paciência com ninguém. Somos cobrados o tempo todo e não estamos livres de eventuais conturbações. Mas, podemos escolher o silêncio, podemos escolher mergulhar no mar ou num rio e deixar que por alguns minutos a água nos leve. É isso que nos tornará leve, bem leve. É neste momento que Deus falará apenas conosco. A carga pesada já não é nossa, mas DELE.
Aos poucos damos um fim em toda a confusão e começamos a agir de forma coerente, sem prejudicarmos aqueles aos quais amamos. Novos caminhos surgem e notamos que os momentos mais alegres são aqueles que estamos com pessoas, geralmente rindo. Sabe aquelas pessoas incríveis que conseguem arrancar gargalhadas da gente? Pois é, esses momentos passam muito rápido e não queremos que passem. E em contrapartida, existem momentos que são tão ruins que demoram a passar. Por isso, temos que valorizar e priorizar tudo aquilo que nos sorrir.
Às vezes para a gente sorrir é necessário arrancar ou se afastar de pessoas que um dia amamos, não porque deixamos de amá-las, mas porque nos causaram dores ou marcas por terem debochado da gente. Todos que debocham vivem a cantar e não se importam com as lágrimas que deixamos rolar.
Por isso, mergulhar num mar ou num rio nos levará ao silêncio do nosso coração.
E a vida começa a fazer sentido...
Paciência é algo que todos almejam, mas a maioria quer arrancá-la de nós. ESPERAR em Deus não significa ficar parado esperando que tudo caia de repente do céu, mas ter a CERTEZA que exatamente tudo aquilo que você quer ou planejou será concretizado. O tempo não para consertarmos velhos erros, mas pára para nos mostrar novos sonhos.

Amar não é se apaixonar

Fernanda Santiago Valente

Posso me apaixonar por um sorriso, por um tom de voz, por um olhar... posso me apaixonar por aquela pessoa que eu desejaria ser, mas nada disso me completará. A paixão é avassaladora, aventureira, louca, arranca o sono, acelera a respiração. E num instalar de dedos pode acabar.
O amor é tranqüilo. Ele não se importa em vestir a melhor roupa. Ele está ali de cara limpa e conhece todas as minhas inquietações, medos, arrepios, anseios, desejos, sonhos. O amor é aquele que sente quando não estou bem, identifica todos os meus sorrisos. O amor conhece todos os meus defeitos, às vezes tenta desfazê-los, mas se não consegue desiste de me incomodar.
A paixão me faz perder a hora, esquecer do que é meu e observar a cada instante o sorriso que me prendeu. A paixão prende. Ela me deixa tonta. Às vezes viciada.
O amor dorme comigo, me abraça, divide comigo um sonho, até mesmo um pesadelo, e me deixa sossegada, talvez até acomodada porque simplesmente sei que é meu.
A paixão domina, desaba, machuca e sai fora.
O amor permanece. O amor ama, ah, como ama... O amor é aquele que a cada dia me dá um pedaço do coração para que eu possa conhecê-lo por inteiro, em cada detalhe... detalhes que me fazem chorar, rir, sonhar, entender, perdoar...
A paixão é imatura.
O amor é responsável.
Prefiro amar! E só quero amar, pois não posso perder a hora.

Para hoje: uma caixa de bis!